
Óperas, Theatro Municipal de São Paulo, Temporadas 2021 a 2025

Mais de trinta identidades gráficas
criadas para óperas encenadas
no Theatro Municipal de São Paulo,
durante cinco temporadas marcadas
pela busca de se estabelecer,
em diferentes modulações, diálogos entre
o universo bastante particular da ópera
e temas contemporâneos
usualmente forasteiros a ele.


O direcionamento dos projetos gráficos é fruto de um duplo desprendimento: a gráfica parcialmente livre de seus raciocínios tradicionais, que apoiava no cartaz a base da comunicação de um espetáculo musical, e a ópera descolada de alguns de seus códigos de etiqueta — que, via de regra, a apresentavam revestida de uma aura que nos acostumamos a vincular com “elegância” quando, a bem da verdade, talvez isso viesse polvilhado por certo classismo esnobe.
A concepção visual de cada espetáculo integra as duas dimensões do discurso visual — as peças de comunicação e o conteúdo figurativo — num único princípio, convergindo design e ilustrações em um único sistema visual.





Ainda que a execução visual de cada espetáculo respeite tanto suas particularidades históricas quanto das montagens específicas, a observação do conjunto não deixa margem de dúvida com relação à presença de um pensamento visual central, de uma voz grráfica que espalha uma profusão de cores e rabiscos soltos, errantes, imprecisos, cuja desobediência aos manuais de etiqueta pode até ter passado por mera birra contra as tradições, mas almeja, na verdade, contribuir para tarefa das mais fundamentais: a revogação da exigência de vistos de acesso e de trajes obrigatórios.


















